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Seja um fracassado Gustavo Reis at TEDxUnisinos 2012

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As TIC no contexto educativoEdit

Segundo a perspetiva do professor Gustavo Reis (cf. https://www.youtube.com/watch?v=ziQIxBjnYDQ), a informação infinita tende a informação zero. Ou seja, se não for selecionada a melhor e a mais relevante informação e se não se conhecerem as conexões entre os conteúdos informativos, ter muita informação será de pouco auxílio para atingir os objetivos pretendidos. Portanto, no contexto da escola, é essencial que os alunos sejam ensinados a escolher a informação mais útil a uma dada finalidade e a tirar partido das conexões entre dados informativos. Para tal, têm de desenvolver trabalhos de investigação que envolvam a procura de informação, a sua seleção e a elaboração criativa de novas ideias.

Ainda segundo o professor Gustavo Reis, a inovação na educação consiste, sobretudo, em ensinar alguma coisa a alguém. E tal atitude, quando devidamente orientada, requer generosidade. Num segundo momento, a generosidade estimula a gratidão e, vice-versa, a gratidão gera maior generosidade por parte de quem ensina, num círculo mágico que enriquece os intervenientes no processo de ensino e aprendizagem. E é desse círculo virtuoso que ocorre a inspiração, momento essencial para a produção de algo valioso.

Numa outra forma de encarar a questão do ensino e da aprendizagem e de acordo com a perspetiva do pedagogo Rubem Alves (cf. https://www.youtube.com/watch?v=_OsYdePR1IU), o ensino não pode consistir em ensinar conteúdos, tem de consistir essencialmente em ensinar a pensar, provocar a curiosidade no aprendente. Daí que o ensino não possa ser centrado no professor, nem ser impositivo, tem de criar no aluno o gosto pela aprendizagem. O professor não deve dar respostas acabadas, mas provocar a curiosidade e o espanto nos seus alunos.

Pedagogos como o professor Rubem Alves gostam de sublinhar a oposição entre «ensinar conteúdos vs ensinar a pensar», «professor que ensina vs aluno que aprende autonomamente», «pedagogias centradas no professor vs pedagogias ativas», «memória vs criatividade». De acordo com esta perspetiva, o professor não deve exigir aos alunos que façam alguma coisa, porque tal seria contraproducente e provocaria a rejeição por parte do aprendente. Assim, o professor deve antes provocar a curiosidade, a inteligência, etc.

Apesar de todos os méritos desta pedagogia, parece-me errado opor as técnicas e processos como se a utilização de um tipo inviabilizasse a utilização do outro. Pelo contrário, parece-me que os alunos têm de aprender conteúdos que estão nos livros, na internet ou noutros suportes, mas que eles não iriam estudar se não fossem obrigados a isso. Os alunos só poderão desenvolver o espírito crítico se concomitantemente entrarem em contacto com a tradição científica e as suas conquistas. A memória do que foi investigado por outros é determinante para o avanço científico que se realiza no confronto com a tradição. Desenvolver estratégias para despertar a curiosidade e o espanto nos alunos é fundamental, mas quem lida com alunos todos os dias sabe que muitos deles não se espantam com quase nada, uma vez que os seus interesses são absorvidos pelos jogos eletrónicos e pelas fontes de lazer que a sociedade contemporânea lhes oferece abundantemente. A aprendizagem, pelo contrário, exige esforço, luta contra a preguiça, entrar em contacto com toda uma tradição que à partida pode não lhes interessar (pelo menos naquele momento e naquela faixa etária). Mas é igualmente verdade que, se o professor tiver ao seu alcance estratégias que promovam a motivação para a aprendizagem de novas matérias, deve recorrer a elas, mesmo que nem todos se venham a sentir igualmente motivados.

O sociólogo catalão Manuel de Castells afirma: «Não existe reestruturação mais fundamental que a do sistema educativo. E muito poucos países e instituições estão a aplicar-se realmente nisto, porque antes de começar a mudar a tecnologia, a reconstruir as escolas e a reciclar os professores, necessitamos de uma nova pedagogia, baseada na interatividade, na personalização e no desenvolvimento da capacidade de aprender e pensar de forma autónoma» (Castells 2007).

O pensamento autónomo deve ser um objetivo central do sistema educativo, mas mais uma vez não se adquire senão no confronto com a tradição, com a memória do que outros realizaram antes de nós, por isso, pelo menos o ensino básico e secundário não pode exigir aos alunos que façam algo de inteiramente novo quando ainda não têm maturidade para tal e quando ainda não estão na posse dos conhecimentos básicos. A autonomia desenvolve-se no confronto com a memória do percurso científico e cultural da humanidade.

No entanto, parece-me relevante que se apliquem pedagogias ativas e práticas (aprender fazendo), sobretudo em algumas disciplinas, através da experimentação, da descoberta e da interpretação dos dados observados.

«A aprendizagem colaborativa é um tipo de aprendizagem que resulta do facto de os indivíduos trabalharem em conjunto, com objetivos e valores comuns, colocando as competências individuais ao “serviço” do grupo ou da comunidade de aprendizagem e não significa “aprender em grupo”, mas a possibilidade de o indivíduo beneficiar do apoio e da retroação de outros indivíduos durante o seu percurso de aprendizagem» (Morgado 2001).

O trabalho colaborativo pode e deve utilizar as TIC, através de fóruns de discussão, wikis ou plataformas colaborativas. É no fundo, o desenvolvimento de um trabalho de equipa que só se completa com o contributo dos outros. Mas pode ser realizado à distância, usando as modalidades de colaboração que as TIC nos oferecem.

O trabalho colaborativo só atinge os seus objetivos se se assegurar uma comunicação frequente e eficiente entre os membros da equipa, adotar uma atitude colaborativa e construtiva, organizar e atualizar o que se vai produzindo, contribuir de forma efetiva e empenhada no esforço do grupo, ser capaz de argumentar, considerar outros pontos de vista na análise de um problema, negociar e chegar a consensos e, por fim, avaliar o trabalho desenvolvido e o empenho e contributo de cada elemento para a sua realização.

A utilização das TIC em ambiente escolar pode ocorrer através de várias modalidades de ensino-aprendizagem:

a) O clássico ensino presencial tem a vantagem de utilizar um canal direto na transmissão da informação e de preservar uma comunicação multidirecional, uma vez que a presença dos atores assim o permite. O professor funciona como meio de comunicação e o ensino é sequencial. Este método exige um ensino documentado e grande investimento em infraestruturas. O método presencial permite a aplicação de estratégias de organização e de produção, bem como a utilização de diversos materiais e recursos. Não exclui, de modo nenhum, o uso das TIC, mas também não o exige.

b) O e-learning é um ensino à distância, no qual os agentes não estão em presença, apesar de poderem estar em contacto simultâneo (síncrono) ou diferido (assíncrono). Evidentemente, este tipo de ensino exige o uso das TIC e a aprendizagem é interativa e flexível. Obriga ao uso da web, uma vez que o professor e o aluno estão distantes um do outro. Impõe a existência de hardware e software adequados, um computador e acesso à internet. O e-learning é baseado na sociedade do conhecimento, centra-se na ação individual, pode utilizar o trabalho colaborativo e pode recorrer a blogues, wikis, redes sociais, etc.

c) O sistema b-learning é semipresencial, combinando métodos e práticas de ensino presencial e de ensino à distância. Utiliza a internet e, de um modo geral, as TIC. Também neste método a comunicação pode ser síncrona ou assíncrona. O aluno é o ator principal e tem de usar os meios técnicos adequados, o que exige algum conhecimento do funcionamento das TIC. O professor é apenas um apoio à aprendizagem autónoma do aluno. Obriga ao uso de um computador, de plataformas virtuais e de infraestruturas adequadas. O sistema b-learning permite a redução de custos em relação ao ensino totalmente presencial e utiliza plataformas educativas como a moodle.

d) O sistema m-learning utiliza os dispositivos móveis, como o telemóvel, o smartphone, entre outros e usa a internet móvel. Este facto torna os conteúdos portáteis. Apresenta uma total flexibilidade, uma vez que se pode aprender em qualquer lugar e em qualquer altura. Exige o acesso a dispositivos móveis e ligação à internet. O m-learning permite a utilização de recursos multimédia.

Assim, são várias as vantagens e as desvantagens dos vários sistemas, podendo ser utilizados conforme os recursos disponíveis, o conhecimento dos utilizadores, a idade dos aprendentes, a adequação dos conteúdos, etc.